Empreendedorismo e cultura: Maurício de Sousa na CCXP

Tempo de leitura: 5 minutos

Maurício de Sousa na CCXP 2017

A MSP mostra inovação e ousadia para conquistar novos mercados e fortalecer laços com o público

Maurício de Sousa foi o grande nome da Comic Con Experience Tour (CCXP), que aconteceu pela primeira vez em Recife durante os dias 13 e 16 de abril. Convidado homenageado do evento, Maurício foi ovacionado em todos os momentos que se fez presente para o público, que demonstrou um carinho impressionante pelo desenhista.

Maurício, que começou a carreira aos 19 anos, trouxe parte de sua equipe na Maurício de Sousa Produções (MSP) e mostrou um pouco do processo de criação e novos projetos. A MSP mostrou-se sólida e ambiciosa, cavando cada vez mais espaço no mercado internacional. Em solo brasileiro não há dúvidas: a “Turma da Mônica” é responsável por 84% do mercado de quadrinhos infanto-juvenil.

Em entrevista exclusiva para a Stalo, o pai da Mônica revelou detalhes dos processos internos da MSP e como consegue se reinventar depois de 50 anos de carreira.

Stalo: Depois de 50 anos de carreira, como inovar com uma história que já passou por tantas gerações?

Maurício de Sousa: Todo dia é um dia novo. Em cada dia há mudanças e acontecimentos que mudam a nossa forma de ver o mundo e é daí que tiro inspiração, da vida, que evolui a toda hora. Quando a gente trabalha com comunicação não existe um dia igual. Se houver rotina não há história. A experiência, somada à liberdade de criação, é a melhor fonte de inovação que alguém pode ter.

S: E como é ser a inspiração para tantos quadrinistas?

Maurício de Sousa: A gente escreve nossas história e projeta os nossos produtos para alguém, não para nós mesmos. Então a inspiração é uma via de mão dupla. Eu te inspiro, você me inspira. No fim a conta bate.

S: A Turma da Mônica se expandiu para outros sub produtos, como a TDM Jovem. Como é adaptar esse conceito para uma linguagem mais jovem?

Maurício de Sousa: A gente aprende as novas linguagens observando o que as tribos estão falando. Acho que o grande lance é o movimento. Quanto mais você se movimenta, mais você tem chances de absorver novas culturas e linguagens, então eu estou sempre imerso nas novas gerações, interagindo. Eu nasci com um tipo de comportamento e linguagem, mas acompanhei – e aprendi – com a geração dos meus filhos, dos meus netos e agora bisnetos, então é um processo bem natural. Eu tive 10 filhos, então foram 10 formas diferentes de se comunicar ao longo da vida, é assim que a MSP age, ela se sustenta na linguagem do seu público, que é variado.

S: Existe alguma história ou personagem que foi desafiador na sua carreira?

Maurício de Sousa: Tenho que pensar bem pra não magoar nenhum personagem (risos). Os personagens que são lançados pra vocês passam, antes, por uma intensa pesquisa baseada na observação. Então não posso dizer que é difícil já que os personagens que eu crio estão sempre à minha volta. Olha pra Mônica, ela é minha filha!

S: A Turma da Mônica tem uma veia educacional muito forte que influenciou a alfabetização de muitas gerações. Hoje a gente olha para a TV aberta e não existe um produto direcionado às crianças. Você acha que fica uma defasagem na formação da infância por conta disso?

Maurício de Sousa: O conteúdo infantil saiu do ar por conta da regulamentação da propaganda infantil. Uma briga que prejudica, sobretudo, os nossos pequeninos ficam sem referências lúdicas para compor sua formação. Mas dá pra burlar isso! A MSP, por exemplo, distribui conteúdo gratuito em escolas, postos de gasolinas, pedágios e tantos outros pontos para colaborar com a educação infantil. É uma iniciativa que independe do governo, porque nossas crianças não podem esperar essa burocracia. Elas precisam do lúdico para crescer e construir seu caráter de maneira saudável e, por que não, divertida.

S: A tecnologia de hoje possibilita novas construções para desenhistas? Você abraçou essas ferramentas ou ainda é apegado ao papel?

Maurício de Sousa: De forma alguma, a tecnologia só nos ajuda. Na MSP nenhum candidato é contratado se não souber desenhar no digital. A conversão é mais fácil e eficaz. Como eu sou pré-histórico, é lógico que eu ainda crio no papel, eu gosto desse contato físico, mas é mais poético que necessário.

S: A MSP tem produtos muito fortes no mercado internacional, certo?

Maurício de Sousa: Sim, claro. O Japão, depois de tanto tempo, voltou a importar nossos produtos. A Indonésia abraça à Mônica, por sua leveza, e leva às meninas muçulmanas novas visões de mundo. Nosso forte ainda é o mercado doméstico, mas estamos presentes sim no mundo todo.

S: E vocês enxergaram na internet a possibilidade de se expandir ainda mais com a Mônica Toy

Maurício de Sousa: A Mônica Toy é uma sacada inteligentíssima. É um produto destinado à web, upada no Youtube. Histórias que não precisam de diálogos e legendas para serem consumidas, então ela acaba sendo global. São cerca de 240 milhões de views por mês e a metade disso vem de fora do Brasil.

S: Então realmente está dando certo!

Maurício de Sousa: Sim, tanto que nós estamos desenhando spin-offs de outros personagens segundários. A tendência é crescer cada vez mais mundo a fora.

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